Sushi de pedra


Quem nunca teve aquela experiência desagradável de morder um objeto não-identificável - algo como uma pedra, arenosa e estranha - no meio da comida? Agora imagine você, pronto para se deliciar com uma bocada de um nigiri de atum - a carne firme e untuosa do peixe, em contraste com a resistência e a pegajosidade do arroz... nhac! Nesse caso, você quebraria os dentes!


Trabalho do estudante de artes japonês, Mari Hamahira, esses delicados sushis são pequenas esculturas de pedra, extremamente realistas, com detalhes que vão das fibras do peixe, a anéis de cebolinha, nacos de wasabi e montinhos de ovas. O mais incrível: Hamahira não usa nenhuma tinta para suas esculturas - a coloração das peças são derivadas das cores naturais de cada pedra, tratadas às vezes com polimento, enceramento ou entalhamento.


A ideia se deu quando o estudante percebeu que o granito vermelho lembrava muito a carne de atum. E foi assim que, durante o confinamento na pandemia e suas aulas de arte remotas, começou a esculpir pedras em formatos de nigiri em seu ateliê, o que se tornou o trabalho de conclusão de seu curso, e uma exposição posterior em um museu em Tóquio.


Além das réplicas de peixes, ouriços, ovas e frutos do mar, Mari coloca sobre o arroz de pedra partes do corpo, como orelhas, lábios, narizes e dedos. Para ele, essa é uma forma de denunciar o desperdício que existe na indústria do pescado: "O trabalho foi inspirado no período em que trabalhei em uma indústria de frutos do mar, onde vi inúmeras vidas serem encerradas e depois jogadas fora, sem sequer serem comidas. Criar partes do corpo como pedaços de sushi, foi a forma que encontrei de lembrar ao espectador que grande parte da comida que comemos já esteve viva e que todos precisamos fazer nossa parte para combater o desperdício de alimentos."