Sobre os influ-haters da gastronomia

Sobre cozinha todos temos opinião. Comida é assunto íntimo a todos nós - você não precisa ser profissional para falar sobre. Mas, para mim, existem duas coisas bastante distintas: crítica e opinião.


Inúmeros influencers, baseados em seus próprios critérios, os "críticos de autoformação", julgam-se no direito de detonar o trabalho de um profissional, de uma equipe, de uma cadeia enorme que um restaurante move, em prol do seu gosto pessoal. Falo aqui dos influ-haters, aqueles manés caídos de paraquedas que possuem poder de encher ou esvaziar um estabelecimento baseados pura e simplesmente no seu gosto pessoal, nas suas amizades, nas modinhas da semana e, claro, no bom e velho jabá.


A crítica gastronômica existe há muito tempo. Um crítico é - teoricamente- alguém que estuda, que pesquisa, que tem anos de repertório para poder julgar um restaurante, baseado em referências, na proposta e em diferentes visitas ao local.


Já os gastro-haters-corajosos-virtuais, vomitam opiniões floreadas em verdades absolutas impactando milhares - afinal, discurso de ódio aparentemente está em alta (parece que traz engajamento, likes, fake news, vai do big brother ao bolsonarismo). Mas, hmm... quem validou esse cara mesmo? De onde vem essa farta experiência sobre a experiência de um local, o ponto de uma carne, a criatividade de um chef?


Claro, somos seres humanos, sempre teremos preferências, opiniões, estados de humor, memória afetiva. Mas pq querer influenciar negativamente o trabalho de alguém que tentou te agradar? Pq inflar um exército de segui-haters? Qual o benefício em tentar moldar as pessoas para pensar como você? Pq devemos acreditar em caixas como "vale a visita"? Para mim, impor ideias através de discurso de ódio é um tipo de facismo.


Mtas vezes me perguntam pq não escrevo sobre os restaurantes que vou. Mas, pq raios vou querer convencer alguém da minha opinião pessoal? Não quero que pensem como eu. Acredito que isso faz o mundo ter mais preconceito, ser mais violento, menos diverso, criativo, expressivo e abrangente. Acredito que cada um deve construir sua própria opinião e suas próprias memórias. Não acredito em discurso de ódio, nem na política, nem na gastronomia