Pedras e a cozinha

Quando o @andoniluisaduriz, chef do restaurante Mugaritz no País Basco, veio pra São Paulo em 2019, ele serviu uma sobremesa cujo nome era "Ralar o Impossível" - os comensais eram convidados a ralar pedras sobre uma espécie de sonho frito. Típica provocação do basco, que desafia convenções e dá asas ao pensamento, o ato, claro, intrigava a todos.


🪨 As pedras são grandes aliadas da cozinha desde o início dos tempos. O Homo habilis, por exemplo, já usava lascas de pedras para cortar alimentos. Com o tempo, a fricção entre duas pedras não apenas possibilitou o fogo mas elas também passaram a ser usadas como métodos de cocção. Quentes, serviam como grelhas sobre as quais se cozinhavam os alimentos. Eram também usadas como grandes fontes de calor - aquecidas no fogo e depois imersas na água para fazer cozidos. Tornaram-se panelas, tigelas, recipientes de preparo e consumo, ferramentas de caça, agricultura e manuseio de alimentos.


💎 Com o tempo, as pedras possibilitaram moinhos, pilões, tinas de conservação e até mesmo prensas - os primeiros sushis, por exemplo, eram prensados entre grandes pedras. No século XVI, monges zen budistas colocavam pedras quentes nos bolsos do kimono para esquentar o estômago e enganar a fome - hábito que se chamava Kaiseki e deu nome a uma tradicional refeição japonesa servida durante a cerimônia do chá. As pedras também eram recomendadas como remédio na Idade Média. A medicina medieval se baseava muitas vezes em uma teoria desenvolvida na Grécia Antiga, que acreditava que o corpo deveria estar em equilíbrio entre os chamados quatro humores. Entre alguns dos remédios mais populares para balancear o corpo, recomendava-se comer pedras preciosas moídas, como diamantes e esmeraldas.


🔪 Existem diversos outros usos para as pedras na alimentação - quais você conhece?

🎬 No vídeo, stop motion muito lindo do japonês @omozoc_omozoc