A guerra da Lagosta e o lobster roll do Mary’s Fish Camp em NY

Updated: Oct 2, 2018

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lobster roll and fries
Lobster Roll do Mary's Fish Camp, restaurante no West Village, Nova York.

Fui convidada para almoçar no Mary’s Fish Camp, no West Village de Nova York, onde me prometeram o melhor lobster roll da minha vida. Eu, amante convicta de frutos do mar, grande apreciadora deste crustáceo - ainda mais morando em São Paulo, lugar de raros bons exemplares deste animal - estava ansiosa pelo banquete.


Dito e feito, uma maravilha sem igual, não tem como não amar a combinação de pão com lagosta, dois dos melhores produtos descobertos pelo homem, ainda mais acrescidos de um saboroso coleslaw, uma salada de repolho com maionese, algo que só os americanos realizam com tamanha perfeição. 


Isso me fez lembrar de um fato curioso, uma das guerras mais peculiares que tenho conhecimento: A guerra da lagosta, evento que aconteceu nos anos 1960 entre Brasil e França. Os franceses - aparentemente fascinados por uma boa lagosta - depois de já terem esgotado suas costas, e, diga-se de passagem, a costa ocidental africana inteira também, miraram suas redes para o litoral nordestino brasileiro, abundante do animal por conta da pouca tecnologia pesqueira no Brasil do período. Depois de alguns empecilhos, a França conseguiu autorização para pescar em área fora das águas territoriais brasileiras - a faixa submarina até 200m pertence ao Brasil, mas suas águas são livres para exploração internacional.

Guerra da Lagosta
Um Boeing B-17 do Brasil voa sobre o vaso de guerra francês Tartu (D636),ao largo da costa do Brasil em 1963

Foi assim que a confusão começou, os barcos franceses capturaram lagostas aos montes ate o governo brasileiro perceber que a lagosta era um animal que vivia no solo (ou seja, propriedade do Brasil)! Os franceses, tentando salvar seu ouro, alegaram que a lagosta era apanhada durante pequenos pulos que dava em sua caminhada, e por isso, poderia sim ser considerada um peixe e, portanto, legal para pesca. 

Relutante com a confusa biologia francesa, o Brasil argumentou que para aceitar a lagosta como um peixe, os franceses teriam que aceitar que o canguru poderia ser considerado uma ave! Ambos países por pouco não iniciaram um confronto militar – por pouco mesmo, navios e aviões militares de ambos os lados mobilizaram suas frotas, mas após discussões diplomáticas a França retirou seus navios e garantimos nossas preciosas lagostas! Sorte para o Brasil, que não possuía nem mesmo munição suficiente para enfrentar a França que vinha com uma avançada tecnologia bélica de um pais que estava em guerra há anos.


Até consigo entender a gana francesa, eu entraria facilmente em guerra por um lobster roll.

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