Foodie Love e o prazer da mesa

"O prazer de comer é a sensação atual e direta de uma necessidade que se satisfaz. O prazer da mesa é a sensação refletida que nasce das diversas circunstâncias de fatos, lugares, coisas e personagens que acompanham a refeição. (...) O prazer de comer exige, se não a fome, ao menos o apetite; o prazer da mesa, na maioria das vezes, é independente de ambos." Brillat-Savarin, A Fisiologia Do Gosto, 1825.

Comecei a assistir a série Foodie Love, da HBO, que, como a própria diretora, a catalã Isabel Coixet, define, é um escapismo perfeito para esses tempos sombrios, solitários e de prazeres limitados que vivemos. A série mostra o poder da mesa de unir as pessoas - sim, da mesa, mais do que da comida em sí, como bem disse Brillat-Savarin acima. “Para falar a verdade, não consigo confiar em alguém que não liga para comida. Comida para mim é vida, é prazer. E jamais confio em alguém que só fala de dieta” disse Coixet em uma entrevista ao Estadão. A série fala sobre um romance que alterna entre a doçura da conquista e a acidez da realidade, mostrando fraquezas, pensamentos, inseguranças e medos dos personagens. “Há momentos românticos e outros bem realistas… Estou cansada de ver personagens masculinos sem camadas ou complexidade. E femininos também. Quero o mesmo nível de contradições e paradoxos porque os seres humanos são assim", completa a diretora. Daquelas séries gostosinhas, água com açúcar, que vale para aquecer o coração e matar a saudade dos prazeres inconsequentes à mesa.


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