História do Chocolate

“Detestável para aqueles que não tem o hábito de o consumir, formando uma espuma ou uma baba de sabor muito desagradável”. Este foi o report do jesuíta espanhol José de Acosta (1540-1600), sobre sua nova descoberta gastronômica, o cacau, durante uma missão no Peru e no México, em 1571.

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🍫 A receita descrita por ele na Nova Espanha era uma espécie de manteiga de cacau com urucum (para dar cor) bastante amarga, um clássico da era pré-colombiana.

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🗿É provável que os Olmecas (1500 e 400 a.C.) já consumissem cacau no ano 1000 a.C e assim passaram seu uso e cultivo aos Maias, primeiro povo que escreveu sobre cacau, hieróglifo da segunda foto.

🖼️ Mulher asteca preparando chocolate e derramando o líquido de certa altura para torná-lo espumoso. Ilustração do Codex Tudela, 1553. Museu da América, Madri.

🎨 Cacau, hieróglifo Maia.


O chocolate era moda na corte francesa de Luís XIV (1638-1715), tanto como bebida, misturado com xarope de açúcar e baunilha (introduzido na França por sua mãe, Ana da Áustria) quanto como comida, a exemplo da tarte servida a pedido do rei ao longo de toda a refeição, como um snack entre os demais pratos.

🍫 Em certa época a "moda do cacau" caiu em desuso, como conta Madame de Sévigné em uma carta a sua filha, datada 15 de Abril de 1661: “Quero dizer-lhe, minha querida filha, que o chocolate já não me acompanha como antes. A moda arrastou-me, como sempre faz: todos aqueles que dele me diziam bem, dizem agora mal; é amaldiçoado, é acusado de todos os males de que se padece; é a origem dos vapores e das palpitações, deleita-vos por algum tempo, mas depois atiça em vós, de um só golpe, uma febre que se prolonga e vos conduz à morte. Enfim, minha filha, o grande mestre [Conde de Lude] que para ele vivia, é agora seu inimigo declarado [...]. Pelo amor de Deus, não adquirais o hábito de o consumir.”

🖼️ Na foto, Mosaico La Xocolatada (1710), no antigo Museu de la Ceràmica de Catalunya, em Barcelona.