A história do Tupperware


Os melhores tupperwares que tenho roubei da casa da minha mãe - daqueles bonitões, redondos com tampa hermética que dá até gosto de fechar. Os piorzinhos, a maioria são reaproveitados das embalagens de deliveries, daqueles meio manchados de colorau que não duram quase nada.


🥣 Um tupperware pode ser roubado, pode ser um afago, pode ser polêmico e até mesmo motivo de briga, mas sua história é revolucionária e divide opiniões.


🧑‍🔬O Tupperware foi lançado em 1946 por Earl Tupper, um inventor americano que teve a sacada de criar recipientes de cozinha, com material até então usado majoritariamente em armamentos de guerra.


🔬Earl Tupper, cresceu entre as fazendas de Massachusetts, onde desenhava suas invenções a la Leonardo da Vinci: pentes em forma de adaga pra prender no cinto, calças que não perdiam o vinco, cigarros personalizados e até mesmo um barco movido a peixes. No final da década de 30, Tupper começou a trabalhar em uma das diversas novas fábricas de plástico que surgiram no séc. XIX na região. Depois de um ano na sessão de plástico da DuPont, Tupper comprou algumas máquinas usadas e abriu a Tupper Plastics, onde produzia compartimentos para colocar cigarros e sabão, embora o plástico não fosse muito popular na época.


🧬Após a Segunda Guerra Mundial, Tupper recebeu um bloco de polietileno da DuPont, que esperava que os fabricantes de plásticos inventassem novos usos em tempos de paz para o material que a empresa havia desenvolvido durante a guerra. Depois de meses de testes, o inventor produziu a primeira tigela Tupperware: conhecida como Wonderbowl, a 'tigela maravilhosa' era translúcida, vinha com uma revolucionária tampa hermética - baseadas nas tampas de latas de tinta - era leve, à prova d'água, não quebrava e mantinha alimentos frescos por mais tempo.


💁‍♀️O produto porém não fazia muito sucesso. O material era novo e estranho, e as pessoas não entendiam muito bem seu uso. Foi assim que surgiu Brownie Wise, uma mulher que revolucionou a venda do Tupperware e transformou a cozinha mundial para sempre...


O recipiente ultra-tecnológico criado por Earl Tupper após 2a guerra, não fazia muito sucesso. Ninguém entendia o uso do Tupperware. O material era novo, o uso incerto, seu acesso curioso - eram vendidos em lojas de ferramentas - até que, uma mulher chamada Brownie Wise mudou para sempre esse cenário.


Brownie trabalhava em uma empresa chamada Party Plan. Em 1948, começou a vender os tupperware para pagar o tratamento de seu filho, e para impulsionar as vendas, resolveu unir seu trabalho em festas com a venda dos recipientes. Assim nasceram as Tupperware Parties: encontros de mulheres que aliavam o fervo das festinhas a boas demonstrações das maravilhas que apenas o tupperware podia proporcionar.


A história do tupperware divide opiniões. Existe uma discussão sobre se a marca impulsionou as mulheres para o mundo do empreendedorismo ou se reforçou estereótipos de gênero. De um lado, discute-se se a Tupperware ajudou a perpetuar a associação entre mulheres e a esfera doméstica e, por outro, avalia-se um contexto pré-feminista, onde essas festas eram uma oportunidade de impulsionamento para mulheres ganharem independência financeira.


Ambos os lados levantam reflexões sobre o real impacto da marca. Independente do viés hoje, às Tupperware Parties se tornaram um sucesso entre as mulheres nos EUA que, em pleno baby boom, conseguiam unir tarefas domésticas com a possibilidade de ganharem seu próprio dinheiro. Essas festas eram sobre mulheres administrando negócios próprios e vendendo para outras mulheres que, por sua vez, estavam experimentando uma tecnologia de ponta. Em 1951 a marca passou a vender exclusivamente em festas tocadas por mulheres ao redor do mundo, sob a tutela de Wise, nova vice-presidente do grupo.


Seg. Alison Clarke, autora de 'Tupperware', "essas festas foram revolucionárias na medida em que ofereceram um modelo alternativo de sucesso comercial baseado em cooperação feminina em vez de competição agressiva. Tratava-se de mulheres ajudando outras mulheres e capacitando-as. Não era discutido como trabalho -era uma extensão da socialização. Era a antítese da cultura corporativa masculina. Era o oposto de Mad Men."