A história do Picles

Dizem que um dos segredos de beleza de Cleópatra (além dos banhos de leite), era seu amor por picles. Mas não foi apenas a faraó mais famosa da história que era conhecida por gostar da conserva milenar: Júlio César, Napoleão Bonaparte, William Shakespeare, Cristóvão Colombo… todos eram grandes fãs de picles. Conservar alimentos em vinagre, salmoura ou em soluções semelhantes é um dos métodos mais antigos de preservação da história. Embora não se saiba quando este processo começou, arqueólogos acreditam que os antigos mesopotâmios preparavam conservas desde 2.400 a.C.. Alguns séculos depois, já era possível encontrar pepinos nativos da Índia sendo conservados ao longo de toda a margem dos rios Tigre e Eufrates. Durante o período das grandes navegações, o picles era usado como um dos principais alimentos dos navios, por sua abundância em vitaminas e probióticos, além de sua longa duração. O navegador Cristóvão Colombo não deixava faltar picles para seus marinheiros, de tal forma que chegou a cultivar pepinos no Haiti para reabastecer seu estoque para o resto da viagem - ele inclusive tinha um “Pickle-Dealer”, que fornecia o estoque de conservas para seus navios. A palavra picles vem do holandês "pekel" e do alemão "pokel", que significa salmoura em português e, segundo a legislação brasileira, "picles é o produto preparado com as partes comestíveis de frutos e hortaliças, como tal definidos nestes padrões, com ou sem casca, e submetidos ou não a processo fermentativo natural". Portanto, picles não é só de pepino: doces, ácidos, salgados, picantes, os picles podem ser de couve-flor, rabanete, cebola, chuchu… Alemães fazem seu chucrute de repolho fermentado, franceses os cornichons que acompanham patês e terrines, no Oriente Médio picles de pimentão, azeitona e até de limão… russos fermentam tomates, coreanos fazem seus kimchis, japoneses umeboshi, nabos. No Brasil conservam-se pequis, pimentas, palmitos, entre muitos e muitos outros alimentos.



🧅 Na foto, a armenia Irina Novikova, produtora de picles, que vende seus produtos em um carro, na vila de Fioletovo. Foto de @AnushBabajanyan, para a @natgeotravel.