A história do Merengue

Minha saga de cozinheira está ficando cada vez mais interessante. Tudo de light e saudável que cozinhava pré-pandemia foi por água abaixo. Surgiu em mim uma glutona lariquenta repleta de desejos insaciáveis por comidas que jamais seriam executadas pelas minhas mãozinhas de comensal acostumadas a talheres e estranhas ao fouet (batedor de claras).


Bolos, pudins, assados, tortas, até queijo já me arrisquei. Mas minha façanha culinária de maior sucesso se deu quando vi uma torta de limão no @nytcooking e não consegui pensar em mais nada até fazer a maldita e devorá-la em dois dias. Torta de limão com merengue - jamais tinha passado pela minha cabeça fazer merengue - era só o que me faltava em tempos "pré novo normal" - mas torta de limão que se preze tem que ter merengue (mentira, tem ótimas sem). E até que não foi tão complexo: o merengue suíço da @ritalobo funcionou como uma mágica - sorte de principiante ou realmente não é tão difícil assim? Só sei que fiquei num amor com aquele merengue que passei uma meia hora admirando a textura.

🧁 O precursor do merengue na história foi um doce chamado "snow", popular na Idade Média. Mas a receita só foi registrada em 1691 no livro "Le Cuisinier Royal Et Bourgeois", de François Massialot, cozinheiro do rei Luís XIV - mesmo livro com a primeira receita de creme brûlée. Massialot descreve a receita de merengue tanto em sua versão clássica, quanto em variações com pistache, framboesa, cereja ou nozes. Ele explica como bater corretamente a clara com o açúcar até ficarem como uma pequena bola de neve e, depois serem moldadas com a colher em forma oval (quenelle), para assar em fogo bem baixo. O merengue foi servido em quenelle até o século XVIII, quando o famoso chef francês Carême mudou sua forma de apresentação. Durante alguns séculos, porém, acreditava-se que o merengue era original da Suíça, inventado na cidade de Meiringen, onde Gasparini, um confeiteiro local, teria criado a receita e a batizado com o nome da sua cidade natal. Verdade ou não, o doce faz sucesso até hoje na região e, inclusive, em 1986, confeiteiros suíços fizeram o que ficou conhecido como o maior #merengue do mundo, usando 2 mil claras, apenas.