A história do Feijão

Quando se sugere “trocar feijão por fuzil”, é mais que chegada a hora de homenagear o eixo da refeição brasileira, em todas as classes de renda, em todos os cantos do Brasil: saudemos o feijão!



Presente na dieta dos brasileiros desde sempre, povos indígenas já consumiam, muito antes da chegada dos europeus, espécies de feijão, que uniram-se às variedades trazidas da Europa e da África, entrando de vez na dieta alimentar do país desde então. Com centenas de variedades, o feijão acompanhou a nossa história, tendo papel central desde as viagens coloniais - quase sempre associado a farinha de mandioca e a carne seca - até as cozinhas domésticas de todo país - que ganham identidade com as diferentes variedades e temperos usados em cada região ou, até mesmo, em cada família. Do branco ao preto, passando pelo verde, marrom, vermelho, rajado, grande ou pequeno, o feijão é um marco cultural que evidencia a diversidade da mesa brasileira: não importa a variedade, a região, o tempero (afinal, "ninguém faz um feijão como o de casa"), o feijão traz unicidade na dieta do país: todos comemos feijão.



O nosso feijão comum, o phaseolus vulgaris, compreende cerca de 55 espécies originárias da América do Sul e Central, produzido hoje principalmente na China, Myanmar, Índia e Brasil. Outras espécies de feijão já eram consumidas na Antiguidade, por mesopotâmios, egípcios, gregos e romanos que os cultuavam como símbolo da vida. Na China, feijões tinham papel importante na cozinha desde a Dinastia Han, consumidos principalmente fermentados. As variedades americanas, acredita-se, cruzaram mares nas mãos de Colombo que levou-os para a Espanha no começo do séc XVI. Em 1528, o Papa Clemente VII popularizou a leguminosa na Itália e, sua sobrinha Catherine de Medici, na França, quando levou variedades de feijão para seu casamento com o rei Henrique II.



Da feijoada, baião, rubacão, tutu, tropeiro, virado, abará, acarajé, ao feijão com macarrão, em vinagrete, nas farofas e bolinhos, o feijão evidencia identidades. Ele é diversidade e, ao mesmo tempo, unidade. O feijão é alimento, base, narrativa, história, colo de mãe, memória afetiva. Já um fuzil… não, um fuzil nunca vai ser nada disso.