A história do Camarão

"Camarão Que Dorme a Onda Leva", já dizia Zeca Pagodinho.

Camarão, o crustáceo mais popular do mundo, faz parte do grupo dos decápodes (deca=dez / podos=pernas) junto com siris, lagostas, caranguejos e outras 15.000 espécies.


🦐Consumidos desde tempos pré-históricos, os camarões eram, provavelmente, cozidos em água e servidos como parte de sopas e ensopados. Na Grécia Antiga, eles faziam mais sucesso que as lagostas, cozidos normalmente em folhas de figo. Mas foi em Roma que surgiram as primeiras receitas com camarão, descritas por Apicius em De Re Coquinaria: assados com especiarias, fritos com mel ou moídos em bolinhos temperados.


🦐Na China também existe uma antiga tradição no consumo de camarões. Durante a Dinastia Tang (618–907), era comum comer o crustáceo ao longo da costa sul, fritos com canela, pimenta, cardamomo e gengibre. Marco Polo, durante suas expedições pela Ásia no séc XIII, registrou os camarões como uma importante parte da alimentação chinesa, servidos frescos ou em molhos. Pratos como camarões fritos com espinafre, descritos por Polo, são consumidos até hoje em diversos lugares do país.


🦐No Brasil, povos nativos já consumiam camarão muito antes da chegada dos colonizadores: "Alguns foram buscar marisco e apenas acharam alguns camarões grossos e curtos, entre os quais vinha um muito grande e muito grosso, que em nenhum tempo o vi tamanho..." trecho da carta de Pero Vaz de Caminha. Assados nos moquens, os crustáceos eram preparados sem sal, e depois temperados com pimentas moídas, as jiquitaias. Existiam também preparos de crustáceos ensopados, como na "po-kêca", onde peixes e frutos do mar eram embrulhados em folhas e assados no calor - o que originou a moqueca - ou no caruru, um refogado de folhas que mais tarde foi adicionado "dendê e quiabos pelas mãos das cozinheiras africanas", como conta Camara Cascudo.


🦐Nos Estados Unidos, o Coquetel de Camarão, um dos mais emblemáticos pratos com o crustáceo, surgiu durante a Lei Seca de 1920 - uma inventiva forma de usar taças que já não eram mais usadas para os proibidos drinks alcoólicos. Mas o prato fez sucesso mesmo apenas na déc de 60, onde se tornou um ícone das mais refinadas recepções.