A história do biscoito da sorte

"A vida trará coisas boas se tiveres paciência": ganhei outro dia um biscoito da sorte que teve a pachorra de me dizer isso… 🥠

📸 @weisstub


Li em 2004 que o tal biscoitinho chinês ajudou 8 pessoas do Nordeste a ganhar na Mega Sena. Pois é, aparentemente uma pesquisa da Caixa Econômica Federal daquele ano resolveu investigar os ganhadores da Sena: 8 dos 15 entrevistados disseram que usaram números impressos nos papeizinhos recebidos em restaurantes chineses. Desde então, passei a olhar pras mensagens com mais atenção. Mas, a grande ironia é que, os biscoitinhos chineses com suas famosas mensagens da fortuna na verdade, ao que tudo indica, são japoneses.



A pesquisadora japonesa Yasuko Nakamachi, depois de muito se aprofundar na origem do biscoito, chegou à conclusão que essa bolachinha nasceu na terra do Sol Nascente. Aparentemente, a dúvida penetrou a cabeça da pesquisadora pela pouca tradição de sobremesas na China: "Há uma razão pela qual a culinária chinesa tem uma reputação mundial em relação a wontons, e não a doces." A pesquisa de Nakamachi então levou-a as antigas padarias nos arredores dos templos de Kyoto, no Japão, e nelas descobriu a antiga tradição dos Tsujiura Senbei, feitos de gergelim e missô, com pequenas mensagens presas no centro dos biscoitos. Ela também encontrou referências a eles na literatura japonesa e em algumas gravuras antigas, como uma de 1878, que mostra um homem preparando um senbei nas grelhas das padarias de Kyoto (foto 2), ou em ilustrações do livro "Moshiogusa Kinsei Kidan", do séc. XIX.


Segundo ela, os biscoitinhos começaram a ser associados com a culinária chinesa durante a Segunda Guerra Mundial nos Estados Unidos. Com o fechamento de muitas padarias japonesas no país, empresários chineses, que já faziam sucesso com sua comida, principalmente na Costa Oeste, tomaram o lugar dos japoneses, inseriram os biscoitos preparados por eles em suas casas e, com o tempo, passaram a ficar famosos através das tais bolachinhas da fortuna.