A história da Tangerina

Tangerina, clementina, ponkan… as citrus reticulatas são nativas da Ásia, assim como a maioria dos cítricos, onde seu cultivo data 1.000 anos a.C. As diferenças entre elas estão no tamanho, na casca e na quantidade de suco de cada uma. Com seu aroma irresistível, na China no século VI, as tangerinas eram mais famosas por seu perfume do que por seu sabor: "na manhã da primeira geada, o jardineiro colhe e apresenta; seu perfume se estende a todos os lugares dos convidados; quando aberta, sua névoa perfumada jorra sobre o povo", escreve Liü Hsün (c. 462–521) sobre a chegada da fruta em um banquete. Curiosamente, as tangerinas não foram levadas ao ocidente junto com outras frutas cítricas asiáticas no século XVI - elas provavelmente só chegaram na Europa em 1805, com algumas pokans que começaram a ser cultivadas na Inglaterra e depois foram para a Itália, por onde se espalharam por todo mediterraneo. No Brasil, as tangerinas vieram com os europeus alguns anos depois: o primeiro registro escrito da fruta por aqui foi em 1817, em textos do padre Manuel Aires de Casal. Hoje, o Brasil está entre os maiores produtores de tangerina do mundo, produzindo aproximadamente 1 milhão de toneladas da fruta por ano, mas sua comercialização é basicamente interna - apenas 1% da safra nacional é exportada.

📸 ‘Naked’, 2015, imagem da fotógrafa moldava Alina Trifan