A História da Manteiga

A manteiga era tão usada pelas antigas tribos da Europa Oriental, que o poeta grego Anaxandrides, no século IV, os chamava de “comedores de manteiga”. Na Roma Antiga, era usada como remédio para tosse ou como creme para dores nas articulações. Na Índia, o Ghee (tipo de manteiga clarificada) já era oferecido a Krishna há pelo menos 3.000 anos. Até no Livro de Gênesis a manteiga é mencionada, quando três anjos aparecem a Sara e Abraão “E tomou manteiga e leite e a vitela que tinha preparado e pôs tudo diante deles...e comeram”. Já na Idade Média, a manteiga fazia sucesso por grande parte da Europa, tanto entre camponeses, por ser acessível, quanto pela nobreza, que a acrescentava em seus cozidos de carne e legumes. Até 1600, comer manteiga era proibido durante a Quaresma, algo tão difícil que, no século XV, muitos ricos pagavam à Igreja um alto dízimo a mais pra ter a manteiga liberada neste mês. Tanta gente se rendeu a este prazer, aderindo ao dízimo extra, que em Rouen, no noroeste da França, uma torre na Catedral de Notre-Dame foi construída e financiada com estas contribuições, ficando conhecida como a Tour de Beurre (Torre de Manteiga).

🖼️ Motte de beurre, pintura de 1875 -1885 do pintor realista francês Antoine Vollon (1833-1900) na National Gallery of Art, em Washington, Estados Unidos

📸 Tour de Beurre, na Catedral de Notre-Dame de Rouen, França. (foto: French Moments)

Uma das minhas manteigas favoritas em SP é esta do restaurante @evvai_sp do chef @luizfilipe, feita com diferentes fermentos vindos de diversos lugares do mundo, desidratados ou tostados, e usados na preparação destas maravilhas, que ficam com diferentes cores, texturas e intensidades. Uma verdadeira obra de arte do melhor tipo: come-se!