"Quando você fica doente, eu não posso fazer nada, como um polvo sem pernas": Meu Amor, Coréia

"Fique comigo por muito mais tempo e me leve junto quando for embora"


Nunca fui mto de acreditar em grandes histórias de amor. Quer dizer, quando era criança sim, sonhava com um amor arrebatador, desses pra vida toda que chacoalham, transbordam, imobilizam. Mas, depois de velha, fui ficando calejada e tomei como máxima um "que seja eterno enquanto dure". De uns tempos pra cá, porém, comecei a pensar que talvez existam sim grandes histórias de amor, dessas de filmes com Audrey Hepburn e Gregory Peck nos anos 50 -pq não? A vida, às vezes, se você tiver sorte, paciência, um olhar atento e o coração aberto, pode te surpreender.


Assisti esses dias a nova série documental da Netflix, lançada em abril, "Meu Amor: seis histórias de amor verdadeiro", que conta a sensível história de seis casais na terceira idade. Cada episódio se passa em um país, EUA, Espanha, Japão, Coreia do Sul, Brasil e Índia, e foram gravados ao longo de um ano para capturar cenas cotidianas, íntimas e verdadeiras vividas por cada casal. A série mostra como o verdadeiro amor está nos gestos, nos olhares, no cuidado, na intimidade e na cumplicidade da rotina.



No episódio da Coreia, Saengja e Yeongsam estão há quase 50 anos juntos. Criadores de abalone, o casal vive há anos na Ilha Bogil, ao sul da Coreia do Sul, um parque marítimo cercado por fazendas de algas e frutos do mar, uma das maiores produtoras do animal do país. Abalone é um molusco que se alimenta de algas, com textura firme e carnuda, além de ter uma das conchas mais lindas que tem. No episódio, o amor ganha forma através do cuidado e da cumplicidade do casal em torno do trabalho: desde o cultivo do molusco ao companheirismo na labuta. Entre um abalone e outro, percebemos o amor verdadeiro, confidente, calejado, que se dá através de singelos gestos e de preocupações carinhosas entre os "eternos pombinhos" - como cantam ao longo do episódio. É inspirador ver esse tipo de amor -faz um bem danado pra alma em tempos tão solitários.


"Quando você fica doente, eu não posso fazer nada, como um polvo sem pernas. Não preciso de ninguém, só você. Fique comigo por muito mais tempo, e me leve junto quando for embora" Yeongsam, em Meu Amor, Coréia.