Pasta, paixão e máfia

Pasta, paixão e máfia – ahh essa cena me dava arrepios na infância… Qualquer fã de filmes de máfia sabe que a comida e, normalmente, em grande quantidade, é uma convenção nesse tipo de drama. Em O Poderoso Chefão, comida embala romances, fecha negócios, celebra nascimentos, conforta despedidas, evoca memórias e disfarça assassinatos - quem não lembra dos cannolis envenenados? Mas esse papel central da comida em filmes de máfia não é nenhuma surpresa. Afinal, o apreço às boas e fartas refeições definem as duas nacionalidades contempladas normalmente nesse tipo de filme: italianos e americanos. Mas a comida tem um papel central, muito maior do que um simples coadjuvante. Comida mafiosa dá força aos personagens, caracteriza sua identidade, seu background, cultura, tradição e até gênero, enfatizando de maneira normativa distinções entre personagens homens e mulheres: o banquete no casamento de Connie, as “mammas” preparando os jantares pré matanças masculinas, ou quando Clemenza ensina Michael a fazer molho de tomate (postei essa cena faz alguns meses), não para ele cozinhar para a família, mas para o caso dele estar em um momento de apuro. Será que isso vai mudar? Filmes como Rainhas do Crime vão ser a nova cara da mafia? Seria promissora uma cena de máfia em que a mulher, além de ser a cabeça do grupo (uma “Donna” ao invés de um “Don"?) volta para casa, depois de “botar pra quebrar” no Queens e encontra o marido recheando raviolis de ricota com espinafre (sim, bem light pq ele está de dieta), depois de ter colocado as crianças pra dormir…

🎬 Trecho do filme O Poderoso Chefão III, de 1990, em que o último Don Corleone, Vincent (Andy Garcia), se apaixona por sua prima Mary Corleone (Sophia Copolla), no final da trilogia que acaba de forma tão trágica que só de lembrar já choro...