Para as mães da minha vida

Minha mãe nunca soube cozinhar. Sua especialidade era um macarrão com atum, tomate e cebola, que ela fazia em sábados preguiçosos, para ser comido em tigela na frente da TV. Ela é a pessoa mais incrível que eu conheço e nunca me importou que não soubesse nem fritar um ovo. A pandemia, porém, despertou a mestre cuca dentro dela, e passou a fazer as mais mirabolantes receitas que caça na internet - pena que já não moramos juntas.


Há um ano minha irmã se tornou mãe. Ela também nunca foi muito de cozinhar, exceto quando cismava em fazer marmitas pra levar pro escritório. Eu chegava em casa e ela estava na cozinha, cerveja na mão, música alta e umas 30 panelas no fogo, fazendo pratos que eram requentados depois na cozinha de um escritório de advocacia qualquer. Hoje, pra Lia, ela faz as mais nutritivas papinhas em panelas livres de metais pesados.


Minha tia sempre foi a mente criativa da família. De desenhos e esculturas a bolos e marzipans, tudo que ela toca fica lindo. Nunca vou esquecer o bolo que ela fez pra mim na minha primeira comunhão - tava me achando a carola com bolo mais bacanudo da paróquia.


Já minha avó materna é uma cozinheira de mão cheia. Paella, tortilla, canelone, arroz de bacalhau, tenho infinitas memórias do sabor das suas panelas catalãs. Hoje, ela não põe mais a mão na massa, mas ainda come-se muito bem usando suas receitas. O curioso é que, em toda sobremesa, ela come uma batata doce inteira, soltando murmúrios de prazer, como se fosse a melhor sobremesa do mundo - isso, nunca vou entender.


Minha avó paterna já faleceu faz tempo e as memórias vão se tornando retratos de ocasiões corriqueiras - e a maioria envolve comida. Lembro da moussaka dela, da gemada que fazia, 3 gemas e muito açúcar - minha mãe achava um horror, mas eu amava. No armário sempre tinha uma caixa de Dantop e sucos com sabores deliciosamente artificiais.


Que saudade da minha família, do lugar em que eu me sinto mais "pertencida". No dicionário italiano, "convivere insieme" é "vivere a uno pane e a uno vino" - quem convive, portanto, é quem partilha da mesma mesa. Que falta que eu sinto de conviver com vocês. Feliz dia das mães pra essas mulheres que me ensinaram tanto.