Nós não nos convidamos uns aos outros para comer e beber simplesmente, mas para comer e beber juntos

"Nós não nos convidamos uns aos outros para comer e beber simplesmente, mas para comer e beber juntos", disse Plutarco. Comer junto, como isso faz falta. Domingo, desde que me conheço por gente, é um dia sagrado: dia de almoço em família. Uma pesquisa da Superinteressante de 2016, diz que 74% dos entrevistados comem aos domingos com a família. Nunca tinha me dado conta da falta que faz a comensalidade. Comensalidade vem do latim, "commensalis", "com" junto, e "mensa" mesa: a característica humana de interagir em sociedade através do convívio à mesa. Convívio, sugere o viver junto (cum-vivere) e "Convivere insieme", segundo o dicionário da língua italiana é "vivere a uno pane e a uno vino". Quem convive, portanto, é quem partilha da mesma mesa."Quatro sobremesas e 12 colheres, por favor", a frase que talvez mais repetimos todos os domingos na minha família (sim, vamos em 12 em restaurantes, sentamos colados em mesas que acomodam 8 e, com certeza, atrapalhamos bastante o serviço), mas não tem nada, nem lugar nenhum que eu me sinta mais "pertencida". Comer junto sempre teve essa função social: quando o homem passou a usar o fogo para se alimentar, a preparação de alimentos acontecia de forma coletiva, o início da comensalidade. No período paleolítico, as caças coletivas envolviam celebrações pós caçadas em que todos comiam o animal abatido. Desde as primeiras civilizações, o comer junto fortalece relações: os banquetes na Mesopotâmia ou na Suméria, os Symposiums gregos, Convivium romanos, a partilha do pão, todos tratavam de comida como forma de promover relações humanas. Comer junto também trata de prestígio, hierarquia. O primeiro pedaço do bolo, o melhor corte da carne, o último bolinho da porção. O trinchador de carnes, na Idade Média, que tinha importante e político papel à mesa: Qual pedaço ia para quem? Um momento extremamente decisivo. Meu recado para este domingo um pouco nostálgico é: compartilhem a mesa. Virtual ou fisicamente, aproveitem o verdadeiro convívio que a comida proporciona. Eu, sozinha nesta quarentena, só tenho algo a dizer: hoje coloquei um lugar na mesa para meu cachorro. Ah, e me permiti compartilhar fotos dos meus domingos em família.