A história do Cachorro Quente

Assim como muitas das melhores comidas (e bebidas), os embutidos nasceram com o objetivo de prolongar a vida dos alimentos. “Processada e protegida por um invólucro, a carne dura mais tempo”, disse Susan Mahnke Peery em seu livro "Home Sausage Making". As salsichas já faziam sucesso na Antiguidade. Em "De Re Coquinaria", um compilado de receitas romanas de Marcus Gavius Apicius, que viveu em Roma por volta de 25 a.C., existem diversas receitas desses embutidos: "Esmague pimenta, cominho, arruda, louro. Misture a carne de porco fresca picada e triturada com o caldo...". Com o tempo as salsichas (feitas com a carne emulsionada), ganharam a Europa e ficaram famosas principalmente nos países germânicos, inspirando diversas receitas: as Frankfurter, por exemplo, foram criadas na cidade de Frankfurt, na Alemanha, em 1484; ou as Vienna - as mais usadas em Cachorros Quentes - que foram criadas na Áustria, também no século XV. O Cachorro Quente, porém, aparentemente só foi criado nos Estados Unidos no século XIX. Reza a (principal) lenda - existem muitas versões dessa história - que um imigrante alemão, Charles L. Feltman, que chegou em 1856 nos Estados Unidos, começou a vender pães e frutos do mar em um carrinho em Coney Island. Com a inauguração da ferrovia que ligava Coney Island ao Brooklyn, no fim da década de 1860, seus clientes começaram a pedir alimentos quentes. Feltman teve então a ideia de incluir salsichas em seu menu ambulante e, para facilitar o consumo e comercialização das salsichas, as colocava dentro de pães. Uma alternativa completamente diferente à forma como eram consumidas em seu país de origem e que, com o tempo, acabou se tornando uma das comidas mais populares do mundo.


Foto: Martin Parr, "Hot Dog Stand", New Brighton, Merseyside, Inglaterra.1952